domingo, 30 de setembro de 2012

As pequenas vozes da vez


O jornalista do Estado de São Paulo, Vinícius Neder, autor do livro “Jornalismo e exclusão social: análise comparativa nas coberturas sobre crianças e adolescentes”, aborda muitos aspectos relativos ao tratamento dado aos menores de idade em matérias premiadas.

Este tema chama a atenção para outro ponto do jornalismo moderno. Com cada vez maior tecnologia e maiores opções de agregar entretenimento e “chamarizes” à notícia para que ela se torne mais atraente, as crianças passam a ser um público mais fácil de ser alcançado.

A manchete do caderno “Globinho”, do jornal O Globo, explicita bem o fato de que as crianças não só possuem voz e opinião, como querem ser ouvidas e compartilhar suas ideias, com adultos e com seus semelhantes.

“O que esperamos do novo prefeito – um político honesto que cuide da educação e da saúde é o desejo das crianças”



Elas, assim como qualquer cidadão, partilha dos problemas da cidade. E por isso deve ser ouvida e noticiada. O artigo de Raquel Magalhães sobre “Jornalismo infantil: o jornalismo que forma e informa”, a autora ressalta justamente esta importância e a dificuldade deste trabalho.
“Falar com crianças é uma tarefa complicada para adultos. A linguagem é o maior obstáculo para que a comunicação seja eficiente e por muitas vezes essa comunicação não é efetuada por não se conseguir atrair a atenção dos pequenos leitores. Em muitos casos, o jornalista que faz reportagens para a criança (não sobre crianças) sente enorme dificuldade em colocar palavras, expressões e ordenar os pensamentos de forma simples e breve. Aqueles jornalistas que já passaram pelo texto “meramente técnico” de grandes redações sente até que o texto para crianças é uma libertação. Mais como “estar escrevendo um livro” do que propriamente “fazer jornalismo”
"Essas peculiaridades que compõem o texto de um periódico para crianças são o tema abordado neste trabalho. Serão apontados, além do papel fundamental da linguagem, questões como a receptividade do público mirim; a atração que pode existir entre criança e reportagem; a apresentação do conteúdo; e a escolha da palavra certa para o público certo. Afinal de contas, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a criança é todo o indivíduo que esteja com idade menor que 12 anos. Para o jornalismo, a criança é aquela que já sabe ler, então o grupo dos pequenos leitores varia de idade entre seis e 11 anos. E em cada faixa etária compreendida nesse intervalo existem necessidades específicas para se fazer um jornalismo claro e interessante.

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